Ventura volta a incendiar a campanha presidencial: ataca Sócrates, insiste nos ciganos, defende outdoors polémicos e lança frase explosiva em direto que está a dividir o país
A entrevista transformou-se rapidamente num campo de confronto verbal. Convidado do canal Now, em mais uma paragem da sua rota rumo às eleições presidenciais, André Ventura voltou a fazer aquilo que já se tornou marca registada: repetir os mesmos alvos, subir o tom e incendiar o debate público. José Sócrates, imigração e a comunidade cigana voltaram a ocupar o centro do palco — sem filtros, sem recuos e com frases que caíram como gasolina numa fogueira já acesa.
Desde o primeiro minuto, ficou claro que Ventura não pretendia fugir ao guião. A campanha, mais uma vez, foi construída sobre corrupção na política, imigração e ciganos, temas que o líder do Chega usa como pilares quase exclusivos do seu discurso. Para críticos, é obsessão. Para apoiantes, é coerência. Para o resto do país, é fadiga misturada com choque.
O momento mais explosivo surgiu quando Pedro Mourinho o confrontou diretamente com os outdoors polémicos espalhados pelo país — “Isto não é o Bangladesh” e “Os ciganos têm de cumprir a lei” — cartazes que levantaram dúvidas legais e geraram reações até no plano diplomático. A resposta de Ventura foi tudo menos moderada.

“Não é cumprir a lei, vocês é que não gostam dos cartazes”, atirou, antes de subir ainda mais o tom. Num ataque direto, misturou tudo numa só frase incendiária:
“O José Sócrates andou a gamar o país e anda à solta. E eu, porque digo que os ciganos têm de trabalhar, vou para a prisão?”
A declaração caiu como um trovão. Nos estúdios, o ambiente gelou. Nas redes sociais, a frase começou a circular em segundos, gerando indignação, aplausos, denúncias e aplausos furiosos — tudo ao mesmo tempo. Analistas classificaram o momento como um dos mais agressivos da pré-campanha, enquanto outros alertaram para o risco de normalização de discursos que misturam crítica política com generalizações perigosas.
Ventura saiu do estúdio sem recuar um centímetro. Pelo contrário: deixou claro que não tenciona mudar de discurso, mesmo sob fogo cerrado. Para ele, a polémica é combustível. Para o país, fica a pergunta que ecoa cada vez mais alto: até onde pode ir o tom da campanha antes de ultrapassar todos os limites?